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Pellets no Sul: quando a padronização vira condição para vender energia térmica

Produtores gaúchos e paranaenses que migraram de cavaco solto para pellets descobrem que o mercado exige umidade controlada, rastreabilidade e contrato com caldeiras de médio porte — não apenas volume.

Pellets · · 12 jun 2026

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Ilustração de fornalha e pellets de madeira em ambiente rural

O Fornalha Viva é uma publicação editorial independente dedicada à biomassa energética no Brasil. Cobrimos cavacos de madeira, pellets, secagem, alimentação de caldeiras e geração térmica em propriedades rurais, cooperativas agroindustriais e pequenas fábricas que substituíram óleo diesel ou gás por combustível sólido de origem florestal.

Não vendemos equipamentos nem intermediamos fornecedores. Nosso trabalho é documentar o que funciona — e o que trava — quando a biomassa deixa de ser “resto de serraria” e passa a ser insumo contratado, com meta de umidade, cinzas e poder calorífico.

A maioria das operações que visitamos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná ainda aprende na prática. O operador de caldeira sabe quando o cavaco está “pesado” pelo cheiro e pela cor, mas não tem planilha de lote. O produtor de pellets investiu na peletizadora antes de fechar o fluxo de secagem. Nossos textos partem desses terrenos reais: chão de fábrica, galpão de estocagem, cooperativa que aquece secador de grãos com biomassa própria.

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Por que biomassa térmica importa agora

O custo do gás natural e do óleo diesel pressionou indústrias de alimentos, laticínios e beneficiamento de grãos no Sul e no Centro-Oeste. Paralelamente, resíduos de manejo florestal e de serrarias acumularam volume sem destino — especialmente após temporais que derrubaram áreas de reflorestamento em 2024 e 2025.

A biomassa energética ocupa esse espaço com uma condição: exige disciplina operacional. Cavaco fora de especificação gera fuligem, entupimento de ciclone e horas de parada. Pellet sem laudo perde contrato. Cooperativa sem rateio claro vira disputa entre associados.

O Fornalha Viva publica guias práticos — não catálogos de máquinas. Priorizamos relatos de operações brasileiras: secador a lenha em cooperativa de soja no noroeste do Paraná, caldeira de 800 kg/h em frigorífico de aves no oeste de Santa Catarina, produtor familiar que vende excedente de cavaco para vizinho com estufa hortícola.

Cada edição reúne leituras que se complementam. Se você opera caldeira, fornece cavaco ou coordena projeto térmico em cooperativa, esperamos que encontre aqui referências para conversar com fornecedor, associado ou conselho — com números e contexto, não slogans de “energia limpa”.

Um padrão que repetimos em entrevistas: a diferença entre ter biomassa disponível e ter biomassa confiável. O primeiro é volume no pátio; o segundo é lote identificado, umidade documentada e manutenção preventiva alinhada ao tipo de combustível. Quem aprendeu isso depois da primeira temporada de secagem custou caro — e compartilhou a lição conosco.

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